sábado, agosto 31, 2013

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Norte e Sul




Quem já tem uns aninhos recorda-se com certeza da serie de tv dos anos 80 chamada Norte e Sul, com o saudoso Patrick Swayze. Falava de duas famílias americanas do séc. XIX separadas pela guerra civil. Mostrava entre outras coisas as diferenças de mentalidade entre os dois lados do pais.
Mas não é da serie nem do actor que vou falar.

Realidade: Quem me conhece sabe que faz mais ou menos hoje um ano que, por motivos profissionais, sai de Lisboa rumo ao Norte. Braga era o destino.
Até á data só tinha vivido em Setúbal onde nasci e em Lisboa.
Mudei-me de armas e bagagens como se costuma dizer sem saber o que ia encontrar. Não conhecia a cidade, tinha passado por aqui em puto e pouco mais que isso. No trabalho conhecia mais dois colegas/amigos que vieram comigo para cima e conhecia mais ou menos o meu futuro/actual chefe.
Como seria natural neste ultimo ano conheci pessoas novas, na maioria colegas nortenhos e aquele tipo de "conhecimentos" do dia a dia, a senhora do café, o motorista do autocarro, a porteira do prédio, o senhor da livraria.
Logo nos primeiros dias fiquei surpreendido pela amabilidade e acolhimento que recebi da maioria das pessoas. No trabalho, na rua, eram simpáticas e comunicativas, longe da frieza e distanciamento que muitas vezes se sente em Lisboa. Podes ir na rua e receber um bom dia vindo do nada de alguém que não conheces, coisa que em lisboa será muito difícil acontecer. Lá se fizesse isso ainda era considerado maluquinho ou tarado.
A cidade é muito gira, cheia de gente por todo o lado, dos jovens ao mais idosos e as ruas tem vida a toda a hora. Tem os defeitos e as qualidades de uma grande cidade, com a diferença desta cidade ter mais de 2000 anos de existência e ser cheia de História e Religião.
Cidade bimilenar, com um passado guerreiro, é composta maioritariamente por jovens e que sabe e gosta de receber quem a visita. Em Braga, a "Porta está sempre aberta" como sinal de bem receber. Fonte: Wikipedia.

Passei um inverno lixado, com chuva dia sim dia sim. Fui logo avisado que Braga era conhecida pelo Penico do Céu por isso já estão a imaginar.
Pode parecer um pormenor mas todos sabem como o clima nos pode influenciar o estado de espirito diário e aqui tinha alturas de chover 2 dias seguidos 2 vezes por semana sem literalmente parar. Não é Londres mas quase.

Nestes últimos meses, á medida que ia lidando com as pessoas que me rodeiam e conhecendo melhor quem comigo se relaciona, tanto homens como mulheres, dei de caras com um muro.
Um muro, umas espécie de barreira invisível e inexplicável, tendo em conta o que se tinha passado nos primeiros meses.
Nas poucas vezes que tentei, consciente ou inconscientemente dar mais um passo em direção a alguém para estreitar e desenvolver a relação e não estou a falar de relações físicas se é que me entendem, já que mais uma vez passou-se tanto com homens como mulheres, a coisa "emperra" :D
Parece que estabeleceram um limite, uma fronteira que por defesa ou questão de educação menos liberal os leva a pisar o travão mais ou menos nessa altura.
Ao mesmo tempo mais a sul depois de um começo que pode ser difícil ou mesmo nunca chegar a acontecer, assim que acontece as coisas parece que fluem melhor. Podem não estar de "porta aberta" mas quando "decidem abrir não a voltam a fechar quando vais a entrar nem se incomodam se te sentares no sofá."
Se volto a dar o passo atrás tudo fica normal como antes. A outra pessoa volta a dar um passo em frente depois de ter recuado. A mesma simpatia genuína e habitual boa disposição e generosidade em doses maiores e melhores que no sul.
Estes dois lado da moeda tem sido até agora para mim difíceis de conciliar e até mesmo entender.
Os dois colegas que vieram comigo partilham mais ou menos da mesma opinião e como eu não arriscam grandes explicações.
Pode ser que o tempo me traga mais respostas.

Não quero com este post ferir susceptividades nem fazer criticas ou elogios a ninguém e muito menos alimentar qualquer guerra ou divisão tal como na serie do Patrick Swayze, Braga é uma cidade porreira e gosto de nortenhos tal como gosto de sulistas. Para mim somos todos iguais ou quase mas isso já seriam outros futebóis sem lugar neste blogue.
Estou apenas a contar aquilo que se tem passado comigo sem facciosismos.

Tem de certeza a ver com educação e história do norte do pais e da própria cidade. Se estivesse vivo outro saudoso senhor, o grande Professor Hermano Saraiva provavelmente contava uma historia das dele, em que a rainha x tinha tido um caso com o primo y que por sua vezes descendia deste ou do outro e que na guerra w tinha cortado a cabeça a z.
Tudo isto tinha marcado a historia de Portugal para sempre e quem sabe criado estas diferenças.
Na volta o problema é meu e aponto aos outros como o ser humano costuma fazer sem ter espelhos em casa ou tive azar e só me cruzei com excepções á regra geral.
Ou as três coisas em conjunto mais outras tantas que ainda não consegui apanhar.
Será por isto também que confesso já ter algumas saudades do Sul mas ao mesmo tempo continuo a gostar de cá estar.

Aceitam-se opiniões, teorias da conspiração, ofensas pessoais ao escritor e até experiencias traumáticas pessoais contadas na primeira pessoa.
Obrigado.

Nota: Isto não foi um balanço anual ou pelo menos não foi essa a intenção.

14 Comentários:

Almofada disse...

Beeeemmm...as coisas que tu te lembras quando contribuis para o "world peace"!! ;)

Eu, nortenha de gema, posso dizer que tens uma certa razao nisso da porta-aberta-mas-meia-fechada.
Somos muito acolhedores, muito simpáticos e acima de tudo tentamos sempre que a pessoa que nao é da nossa zona, se sinta confortável. (Daí os turistas falarem tao bem do povo português.) Até aqui tudo bem.

Mas realmente temos essa "coisa" de andar sempre de pé atrás. Acredito que no geral criamos uma espécie de escudo anti-pessoas-que-ao-fim-de-um-tempo-nos-apunhalam-pelas-costas.

Mas nao seremos todos assim? Norte, centro e sul? Nao será o povo português em geral, desconfiado e cuidadoso para com os outros??

Kiss kiss**

Shiver disse...

Tens razão, essa coisa do desconfiado e pé atras existe em todo o lado de norte a sul mas aqui acho que não tem nada a ver com cuidado ou medo de ser magoado.

Sinto que é uma coisa que deriva de uma educação diferente mas que nunca é falada ou reconhecida abertamente. Não se traduz por actos ou palavras mas sim por um repentino afastamento e distanciamento que pode durar apenas segundos.
Se fosse igual em todo o lado penso que não iria notar estas diferenças.

Shiver disse...

Não é defeito é feitio :)

Almofada disse...

Entao nao sei que possa ser... porque se calhar eu mesma tenho essa "coisa" que falas e nem dou conta!...

Tenta ser mais específico no que queres dizer... talvez eu me encaixe no "exemplo" que deres...

Shiver disse...

É como se a pessoas daqui, mesmo que simpatizem contigo não se querem dar a conhecer ou então "há outra porta de entrada" que eu não conheço :P

Almofada disse...

Eu acho que sempre iremos ter aquele complexo de inferioridade vs superioridade (há para os dois gostos) para com os alfacinhas, ou melhor, para com gente-que-tem-aquela-pronuncia-que-nos-nao-temos..

Será por isso que nao se dao a conhecer? Por te verem como um "estrangeiro com sotaque estranho"?...

Shiver disse...

Ya percebo mas eu nem sou alfacinha atenção ;)

Mas sim ás vezes sinto-me um "outsider" em determinadas situações.
É uma hipótese.....

Almofada disse...

Por não seres alfacinha é que pus a hipotese da pronuncia... ;)

Ritinha disse...

Eu sou uma mulher do norte!
Eu acho que nós somos muito acolhedores mas, ao mesmo tempo, muito desconfiados. Acho que é daí que surge essa atitude de afastamento!

Shiver disse...

Tava á espera da tua opinião Ritinha!

Pelos vistos achamos todos mais ou menos o mesmo.
Passados essa fase o que gostava de perceber é se é uma reação tipicamente "nortenha" e se é uma defesa aprendida e construída ou se é tipo.......quase genética,enraizada na população que passa para toda a gente.

Ou então se sou maluco :D

Almofada disse...

Eu voto na parte do "tu é que és maluco".. ihihih

Na verdade, só tu, estrangeiro, é que notas isso... eu, nortenha, nao consigo ver isso e nem tenho modo de comparaçao porque nunca vivi no centro ou sul de portugal... Mas quando me der conta de alguma alteraçao ou descoberta dessa tal diferença, serás o primeiro a saber ;)

Kiss kiss

Shiver disse...

Mas essa parte não é novidade :P

Marta disse...

Pois bem, fala uma mulher do Sul. Eu cá acho que não tem a ver com a geografia. Tem mais a ver com sorte, com predisposição, com a nossa forma de estar, com a de terceiros, enfim. Tu sentes saudades de casa, isso sim! É completamente normal. Há coisas e cheiros que só encontramos em "casa" e isso faz-nos sentir mais confortáveis e facilita tudo o resto. Mas isto sou eu que nada sei ;)

Shiver disse...

Que tenho saudades já confessei mas acho que é mais do que isso.Acho que vai mais fundo que isso.

Há diferenças de comportamento em varias situações entre as pessoas do norte e do sul e isso é indesmentivel.

Para o bem e para o mal.

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